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Ascensão do Senhor

Ascensão do Senhor

A Palavra de Deus descreve o fato da ascensão de Jesus, isto é, a transferência ou o arrebatamento para o céu do seu corpo glorioso (cf. Mc 16,19; Lc 24,51; At 1,2.9).

Outras referências falam da exaltação de Jesus e sua digna condição de estar de pé, sentado, ou apenas à direita de Deus (cf. At 7, 55; Rm 8,34; Ef 1,20; 2,6; Cl 3,1; 1 Pd 3,22). No Credo professamos a nossa fé na ascensão de Jesus: afirmamos que ele “subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos”. O Catecismo da Igreja Católica diz que “a ascensão de Cristo assinala a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus, de onde voltará, até lá, no entanto, o esconde aos olhos dos homens” (CIgC, 665).

A ascensão é a celebração da exaltação do senhorio de Jesus, é o coroamento da sua caminhada entre nós. Ele agora está em plena comunhão de vida e de poder com o Pai, sentado à sua direita, no seu mistério, no seu ser, na sua soberania. A glorificação do Senhor Jesus não se explica com a razão humana, só os olhos da fé nos levam a celebrar a sua glória e senhorio.

A festa solene da ascensão de Jesus nos leva a meditar duas dimensões essenciais da nossa fé. Contemplamos o Senhor na sua glória, nosso desejo é o céu, nossa mente e o nosso coração se voltam para o alto, para onde está Cristo, sentado à direita de Deus. “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus” (Cl 3,1); “Somos cidadãos dos céus. De lá aguardamos como Salvador o Senhor Jesus Cristo” (Fl 3,20). Em Jesus, a nossa natureza foi exaltada. Celebramos essa graça na fé e no desejo. Deus é o nosso desejo, só nele encontramos a verdadeira felicidade.

A vida interior é essencial na Bíblia e na experiência cristã, é entrar no mais profundo do nosso ser, onde Deus faz a sua morada. Mas na sociedade atual a interioridade perdeu espaço. O que vale é o exterior, a matéria, o rumor, o barulho, a distração. Mais cedo ou mais tarde, vem o vazio. Pois nenhuma ação legítima se sustenta se Deus não estiver na sua origem. Antes de servir, devemos nos colocar aos pés do Senhor e, em silêncio, escutá-lo. Na intimidade, nos reabastecemos. Depois da escuta amorosa e silenciosa, temos o que oferecer.

Buscamos as coisas do alto, onde está Cristo, mas a nossa missão se realiza no tempo. Somos peregrinos da fé, e procuramos lançar na terra as sementes do Evangelho. Com a força do Espírito Santo que Jesus derramou sobre nós, somos chamados a ser suas testemunhas (Mt 28, 19-.20; At 1,8)

“Jesus foi levado ao céu à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo” (At 1,9). Ele foi ao céu, mas prometeu estar conosco todos os dias, “até ao fim do mundo” (Mt 28,20). O encontro com Jesus se dá por meio dos sinais simbólicos da liturgia. Por isso, percebemos a sua presença quando estamos reunidos em torno da Palavra e da Mesa Sacramental.

Os olhos da fé nos levam a compreender que ao subir ao céu, Jesus não nos abandonou, tem agora uma nova presença, ele age através do Santo Espírito. Dois efeitos são essenciais nessa ação: o Espírito ilumina os mistérios e as verdades da fé; também infunde em nossos corações o amor de Deus que nos purifica e nos santifica. Agora é tempo da vigilância e da ação, do apostolado e do testemunho. É tempo de servir ao bem, à verdade e a Deus, esperando o regresso glorioso de Cristo.

Rezamos pelo 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o tema: “Preservar vozes e rostos humanos”. Na sua mensagem, o Papa Leão XIV destaca a necessidade de colocar a Inteligência Artificial e a tecnologia a serviço da dignidade humana, defendendo a comunicação autêntica contra toda desinformação. Uma verdadeira e autêntica comunicação deve estar a serviço da vida humana.

Que Deus abençoe e ilumine todos os profissionais da comunicação.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.