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Candidato ao Diaconato Permanente da Diocese de Franca defende doutorado com pesquisa sobre a saúde mental de padres católicos

Candidato ao Diaconato Permanente da Diocese de Franca defende doutorado com pesquisa sobre a saúde mental de padres católicos

Tema da pesquisa: "Sofrimento psíquico em padres católicos brasileiros: fatores associados e o papel da religiosidade/espiritualidade."

O candidato ao Diaconato Permanente da Diocese de Franca, Paulo Cesar Bocalon, da Paróquia Santa Rita de Cássia, em Sales Oliveira (SP), concluiu, no último dia 6 de julho, uma importante etapa de sua trajetória acadêmica ao defender o doutorado em Ciências pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). 

A pesquisa, fruto de anos de estudo, escuta e investigação científica, propõe uma reflexão sobre um tema cada vez mais relevante para a Igreja: a saúde mental dos presbíteros. O estudo buscou compreender os fatores associados ao sofrimento psíquico de padres católicos brasileiros e o papel da religiosidade e da espiritualidade nesse contexto. 

Segundo Paulo Cesar, a conquista representa muito mais do que a obtenção de um título acadêmico. 

"Pessoalmente, representa a realização de um caminho que exigiu disciplina e perseverança. Vocacionalmente, aprofunda em mim a convicção de que a fé e a ciência podem dialogar com honestidade, sobretudo quando a questão é o cuidado com pessoas que também cuidam de tantos outros." 

O interesse pelo tema nasceu da convivência com a realidade eclesial e da percepção de que muitos sacerdotes enfrentam desafios como sobrecarga, solidão e dificuldades relacionais, nem sempre encontrando espaços seguros para expressar seus sofrimentos ou buscar ajuda. 

A pesquisa analisou diversos aspectos relacionados ao sofrimento psíquico de padres católicos brasileiros, indo além do burnout e abordando também questões como depressão, ansiedade, estresse, qualidade dos vínculos, condições de trabalho e o papel da religiosidade e da espiritualidade. 

Entre os principais resultados, o pesquisador destaca que o sofrimento psíquico não pode ser compreendido apenas como uma fragilidade individual. 

"O estudo mostra que esse sofrimento está relacionado também à qualidade dos vínculos, à satisfação com a vida, às condições de trabalho, à relação com a autoridade e com os próprios colegas, além da forma como a espiritualidade é vivida." 

A pesquisa revelou ainda que a religiosidade e a espiritualidade podem exercer um papel tanto de fortalecimento quanto de vulnerabilidade. Em muitos casos, a fé favorece a esperança, a oração, o sentido da missão e a busca por ajuda. Em outros, quando o sofrimento é interpretado como falta de fé ou fraqueza vocacional, pode contribuir para o silêncio e o adiamento do cuidado. 

Para Paulo Cesar, é fundamental que a Igreja trate o tema da saúde mental com responsabilidade e abertura. 

"Os ministros ordenados são pessoas concretas, com história, afetos, limites e necessidades de cuidado. Falar sobre saúde mental não diminui a vocação. Pelo contrário, ajuda a compreender que acompanhamento espiritual, vínculos fraternos, psicoterapia, psiquiatria e outros cuidados podem caminhar juntos, respeitando a realidade de cada pessoa." 

O pesquisador acredita que o estudo poderá contribuir para a formação inicial e permanente dos futuros sacerdotes, incentivando a criação de espaços de escuta, acompanhamento e fortalecimento da dimensão humana no processo formativo. 

Como candidato ao Diaconato Permanente, Paulo Cesar Bocalon afirma que a experiência acadêmica também fortalece sua missão na Igreja. 

"O diaconato me recorda que servir não é ocupar o lugar do outro, mas estar próximo, reconhecer os sofrimentos concretos, orientar quando necessário e ajudar a construir uma cultura eclesial em que pedir ajuda não seja motivo de vergonha." 

Ao concluir o doutorado, ele manifesta o desejo de que os resultados da pesquisa possam servir como ponto de partida para futuras ações pastorais, formativas e acadêmicas, contribuindo para uma cultura de cuidado, prevenção e promoção da saúde mental entre os ministros ordenados.