Representando a Diocese de Franca, Pe. Rodrigo participou da II Romaria Nacional de Catequistas, realizada em Aparecida, e destaca aprendizados para a missão catequética
A II Romaria Nacional de Catequistas, realizada de 29 a 31 de agosto no Santuário Nacional de Aparecida, reuniu pouco mais de 5.500 catequistas, sacerdotes, religiosos, diáconos e bispos de diferentes regiões do país. Com o tema “O que vimos e ouvimos, nós anunciamos” (1Jo 1,3), o encontro foi marcado por momentos de formação, espiritualidade, partilha e reflexão sobre a missão da catequese na Igreja.
A Diocese de Franca esteve representada pelo Pe. Rodrigo Anael, que participou das atividades da Romaria e também da oficina de Catequese com Adultos. Para ele, a experiência ajudou a aprofundar a compreensão sobre o papel do catequista como colaborador da missão de Jesus.
Um dos aspectos que mais o marcou foi a reflexão apresentada por Dom Leomar, especialmente sobre o protagonismo do Espírito Santo na missão evangelizadora.
“A obra é dele. Isso ficou forte no meu coração: não ser dono da obra, e sim colaborador da obra, mesmo que em muitos momentos somos fracos.”
A compreensão de que o catequista participa de uma missão que pertence, antes de tudo, a Deus, também conduz a uma atitude de humildade e disponibilidade diante do serviço.
Acolher para anunciar
Entre os aprendizados que Pe. Rodrigo deseja levar para a realidade da Diocese de Franca, um ganhou destaque especial: o acolhimento.
A partir das formações e da oficina de Catequese com Adultos, ele reforça a necessidade de uma catequese capaz de receber as pessoas sem julgamentos, ajudando-as a encontrar caminhos de esperança e a conhecer a misericórdia de Deus.
“Acolher sem julgar, sem encontrar defeitos, mas apontar caminhos, esperanças, apresentar Jesus e a misericórdia de Deus.”
Para o sacerdote, essa postura é fundamental diante das diferentes histórias e situações daqueles que chegam às comunidades. Mais do que transmitir conteúdos, a catequese é chamada a favorecer um encontro que conduza a pessoa a uma experiência com Cristo.
“O catequista é um contador de histórias”
O próprio tema da Romaria também ganhou um significado especial para Pe. Rodrigo. “O que vimos e ouvimos, nós anunciamos” o levou a compreender o catequista como alguém que anuncia aquilo que experimentou.
Em uma definição bem-humorada, ele afirma que o catequista é, de certa maneira, um “contador de histórias”: alguém que fala a partir de uma experiência pessoal de encontro com Jesus, de ter sido amado e de aprender a amar.
Essa perspectiva coloca o testemunho no centro da missão catequética. O anúncio não parte apenas de uma ideia ou de um conjunto de conhecimentos, mas de uma experiência que pode ser compartilhada com outras pessoas.
“Não tenhais medo. Anunciai.”
Ao olhar para os catequistas da Diocese de Franca, Pe. Rodrigo deixa um convite direto:
“Não tenhais medo. Anunciai. Fale de Jesus. Quando faltar palavras, use a vida.”
Para ele, o anúncio deve apresentar Jesus como uma pessoa, e não simplesmente como uma ideia.
“Fale do que experimentou do Senhor. Seja instrumento. Anuncie, acolha e ame.”
A mensagem sintetiza uma das experiências centrais da Romaria: o catequista é chamado a testemunhar aquilo que viveu e a acompanhar outras pessoas em seu caminho de fé.
Os desafios da catequese
A experiência em Aparecida também levou Pe. Rodrigo a refletir sobre os desafios atuais da catequese. Entre eles, aponta a necessidade de buscar a unidade em um contexto marcado pela polarização, no qual, muitas vezes, as próprias convicções podem acabar ocupando um espaço maior do que o Evangelho.
Outro desafio é superar uma pastoral voltada apenas à manutenção das estruturas e compreender a catequese como um processo de introdução à vida comunitária, capaz de criar espaços de acolhida.
O sacerdote também chama atenção para a necessidade de superar aquilo que define como “centralidade do clero”, quando as comunidades correm o risco de fazer as coisas apenas segundo perspectivas particulares, afastando-se da dimensão da catolicidade da Igreja.
Para enfrentar esses desafios, Pe. Rodrigo aponta para um caminho que considera fundamental: primeiro, ser discípulo para depois tornar-se missionário, reconhecendo que o verdadeiro protagonista da missão é o Espírito Santo.
Um caminho que continua
Mais do que encerrar-se nos dias vividos em Aparecida, a Romaria deixa aos participantes a responsabilidade de transformar as experiências recebidas em atitudes concretas nas comunidades.
Para a Diocese de Franca, a participação do Pe. Rodrigo representa também uma oportunidade de trazer para a realidade local reflexões sobre acolhimento, testemunho, unidade e acompanhamento no processo de fé.
O chamado permanece simples e, ao mesmo tempo, exigente: anunciar Jesus, acolher as pessoas e amar, permitindo que a experiência pessoal de encontro com Cristo se transforme em testemunho e missão.