6º Domingo da Páscoa

No 6º domingo da Páscoa lemos Jo 14,15-21: dois temas se destacam, o mandamento novo e a promessa do Paráclito.

João é conhecido como o “discípulo que Jesus amava” (Jo 13,23; 19,26). O tema do amor é constante no seu Evangelho, mas no início aparece poucas vezes (cf. 3, 16.35; 5,20; 8,42; 11,3.5.36). A partir do capítulo 13, quando trata da glorificação de Jesus, há uma catequese constante sobre o mandamento novo. O que João quer dizer com isso, ao falar do amor fraterno só no fim? Ele quer mostrar que o amor é um aprendizado, e Jesus é o nosso professor. O livro da glória inicia dizendo que Jesus amou os seus até o fim (cf. Jo 13,1). Logo a seguir, narra a cena do lava-pés, revelando que o amor é uma oblação, um serviço.

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos... Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14,15.21). Amar é acolher, guardar e observar os mandamentos. Jesus estabelece entre ele e os discípulos um outro tipo de presença: Deus habita o coração de quem ama. Na prática do amor, eles revelam-se como seguidores de Jesus e praticantes da palavra.

O amor se revela na paixão. Antes do mistério pascal, os discípulos eram incapazes de amar. Quando o soldado abriu o lado de Jesus com a lança, saiu sangue e água (cf. Jo 19,34). Do seu coração transpassado brotou a possibilidade de liberação do amor nos discípulos. Após a Páscoa, Jesus soprou sobre os discípulos o Espírito Santo (cf. Jo 20,22). Para João, Jesus nos comunica sua vida pelos sacramentos e pelo Espírito Santo. A água do Batismo, o gesto do lava-pés, o sangue da Eucaristia e o Paráclito são a nossa salvação. Quando entramos nessa água e deixamos Jesus lavar os nossos pés, quando tomamos do seu sangue e sentimos a presença do Espírito Santo, aprendemos a amar. Deus é a única fonte de amor. Aprendemos a amar possuindo a sua vida, pois Ele é amor. Essa comunicação vem da vida íntima de Jesus: água, lava-pés, sangue e o Espírito Santo. Quando somos batizados, recebemos a unção do Espírito Santo e comungamos o Corpo de Cristo, experimentamos uma escola de amor e somos aptos para amar. Na Eucaristia intensificamos a vida espiritual e o nosso apostolado. Beber e comer do amor divino é o que nos fortalece na vida espiritual e nos capacita para a missão.

Outro tema do Evangelho é a promessa do Paráclito: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conhecereis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós” (Jo 14,16-17). O tema aparece também nas duas leituras: “Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo” (At 8,17); Jesus “recebeu nova vida pelo Espírito” (1 Pd 3,18).

Para assumir a missão de amar, os discípulos necessitam de um Defensor, um Advogado, um Ajudador e Consolador: o Espírito Santo, o Espírito da Verdade.

O Espírito é a presença de Jesus na vida da comunidade cristã. Ele atua nos cristãos e atualiza a missão de Jesus. Age no coração, na vida de cada cristão e no interior da Igreja. É o sustento, a força que impulsiona, aquele que está ao lado de quem está com Jesus.

Atos 8,5-8.14-17 narra o anúncio da Palavra de Deus em Samaria, uma das primeiras comunidades cristãs. Filipe anuncia a Cristo e realiza milagres. Continua a missão de Jesus. Sua tarefa evangelizadora suscita alegria. Pedro e João rezam e impõem as mãos. Os samaritanos recebem o Espírito Santo,

Pedro (cf. 1Pd 3,15-18) anima a comunidade a dar razão da sua esperança, a reconhecer que o único Senhor é Jesus. Ele é a norma de comportamento. É o justo que morreu pelos injustos, a fim de conduzi-los a Deus. Da morte de Jesus, veio a vida nova no Espírito. Quem segue Jesus deve viver a mansidão e o respeito. Não usa as armas de quem é violento e injusto.

Estamos nos preparando para acolher aquele que é chamado em nossa defesa, do qual procuramos consolação. Não vamos procurar consolo em coisas passageiras. Deus é o nosso sustento. Só Ele basta. Sendo consolados pelo Espírito, procuramos consolar e aliviar a aflição, confortar a tristeza, ajudar a superar o medo e dissipar a solidão de nossos irmãos e irmãs. A Eucaristia é o sacramento que renova a presença do Espírito Santo em nós.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.