12º Domingo do Tempo Comum

Jesus constituiu os doze apóstolos e os enviou em missão com alguns conselhos e recomendações.

Alertou os mesmos sobre os riscos, os desafios e as perseguições no caminho. Em Mateus 10,26-33, ele os consolou com palavras de ânimo e encorajamento. Por três vezes, Jesus disse aos apóstolos: “Não tenhais medo!” (Mt 10,26.28.31). Essa insistência revela uma realidade difícil e de resistência no anúncio do Evangelho e uma condição humana, que é o medo diante do conflito e das crises.

O medo tem sentido, pois faz parte da vida humana. Tem várias causas, podendo nos bloquear e até paralisar, atrapalhando e impedindo uma resposta. Mas também pode ser fonte de aprendizado.

Quando olhamos os personagens bíblicos, notamos que a experiência do medo é constante. São inúmeros os exemplos narrados nas Escrituras: de confusão diante do chamado, desculpas para não assumir, queixas, consciência da fragilidade, pequenez, insegurança, pobreza, condição de pecado, fuga, pedidos de proteção, sinais e provas da presença de Deus. Até José e Maria passaram por momentos de confusão e perturbação diante de um compromisso divino. Foram consolados pelo anjo: “José, filho de Davi, não temas receber Maria” (Mt 1,20); “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus” (Lc 1,30). O Senhor sempre se apresenta como aquele que está junto, protege, dá apoio, fortalece, incentiva, insiste e cura do medo

Como tirar lições do medo? Aprendendo a se reconciliar com ele e descobrir, apesar das fragilidades, novas perspectivas. O medo nos leva a reconhecer que apenas por nossas forças não poderemos dar nenhuma resposta. Ele nos leva a entregar-nos nas mãos do Senhor, é ele quem nos conduz. Nas injúrias, perseguições e crises, o profeta Jeremias confessou com confiança: “O Senhor está ao meu lado como forte guerreiro” (Jr 20,11).

Não devemos temer a missão, pois fomos redimidos por Jesus Cristo. Deus nos amou tanto que deu o seu Filho único como nosso salvador. A nossa vida está em suas mãos. A resposta é exigente, implica dificuldades, renúncias e desafios, mas o que Jesus pede não supera as possibilidades do ser humano. A fé e a confiança na graça sustentam a vocação e o seguimento de Jesus Cristo. Com Ele, o jugo é suave e o peso é leve (Mt 11,30).

“O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido”, assim nos ajuda a rezar a antífona de entrada da Missa do 12º Domingo de Tempo Comum. A fortaleza é dom do Espírito, é a luz, a coragem e a força que o Senhor nos concede para vivermos a fé e as suas consequências. O Espírito Santo nos reveste de vigor para vencermos as fragilidades e tribulações que normalmente convivem com a natureza humana.

A fortaleza não é poder, mas confiança na graça do Senhor e na sua proteção. “Foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos” (Rm 5,15).

O Mestre nos garante que vai estar conosco, “até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Portanto, não ter medo significa acreditar plenamente no amor de Cristo, não se deixar vencer pelos próprios limites e fraquezas e prosseguir com firmeza na missão. Quando nosso coração está em Deus, perde o medo, pois contamos com uma força maior.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.